Hoje tive ganas de relatar o primeiro momento caótico de 2011. Não sei se por acaso está mesclado ao momento de retorno às instituições acadêmicas. Ontem foi meu primeiro dia de aula na Universidad Federal de San Martin e assim começa a saga.
Ontem, sexta feira, fui treinar no circo criollo a 1 da tarde... voei no trapézio, treinei arame, socializei, tudo lindo. Aí mesmo me banhei e segui para Paraná 145, piso 5, onde participaria do primeiro encontro da turma 2011 do curso de Gestão Cultural. Quando saí de casa não havia tido tempo de comer quase nada pra poder chegar a tempo para os treinos mais cedo para que, por su vez, a universidade coubesse no meu dia. Saí do circo correndo pelas estreitas ruas do centro e por sorte encontrei uma torta vegetariana em uma esquina no caminho, que comi sentada na escadaria de frente à sala de aula enquanto alunos e professores passavam tentando ubicar-se no tempo e no espaço daquele ritual metido a sério (como sempre). Não mais engoli a comida entrei à sala de aula e escutei pessoas se apresentando organizadamente sob uma pseudo-dinâmica metodologia de socialização guiada por duas horas. Quando se fez o intervalo para começar de fato a aula minha cabeça latejava... vocês não imaginam o quanto! Pela primeira vez depois de um dia de treino não eram costas, braços e mãos que doíam, era a cabeça.
Depois um mórbido silêncio se fez por duas horas mais enquanto, junto com o diverso grupo de estudantes, ouvia as mais interessantes questões sobre economia de la cultura. A discussão é intensamente envolvente, me faz pensar na parte boa da antropologia e das ciências sociais em geral que pude conhecer nos últimos anos. O silêncio e as posturas corporais que nos serviram de cenário me torturou completamente por todo o tempo que estive aí. Tudo que eu queria era aquela mesma aula, mas sentada no chão tomando mate. Que caralho! Com ótima companhia comi em uma pizzaria localizada na avenida Corrientes, ao lado do obelisco, e por um momento me senti de volta como em viagem, mundo novo e essas tonterias que nos acometem quando estamos longe.
Enfim consegui chegar a casa.
Fui dormir pra ter pique pra aula de hoje, sábado de manhã. Fechei os olhos e o despertadou tocou. Já era hoje!! Que caralho! Já me levantei puteando...
No caminho retomei o bom humor e segui pra aula tranquila. Escutava Pink Floyd, depois coloquei Dizarie e logo adormeci. Acordei de frente pro Obelisco e pensei, vamos nessa pra mais uma dose de postura acadêmica... só em pensar me doíam as costas mas era interesante, então, vamos lá! E assim foi. Interessante e torturante. Já estava com os dois pés acima da cadeira tentando transformar aquilo em algo confortável ao corpo, em algo caseiro, como que para o conhecimento se sentir confortável e entrar mais fácil. Ao final, conheci dois colegas, tomamos subter juntos, foi legal isso tirando um empurra-empurra de la réé puta madre quando fomos entrar no vagão. Tava lotado como sempre. Em algum momento tive a impressão de ver o zíper da minha mochila em um lugar que não havia posto. Abracei a mochila e segui. Quando baixei já não tinha carteira.
La ré puta madre que te ré mil parió!!! Que garca hijo de puta!
Foi o que pensei na hora. Filho da puta só levou meus documentos porque nem dinheiro eu tinha.
Levou embora o bom humor que eu trazia comigo pra casa e deixou um bocado mais de questões burocráticas e torturantes com as quais os de fora tem que lidar, sempre com um pouco mais de dificuldade pela gringuês escolhida.
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