sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Caatinga Encantada

HolorFascinação
Espinho
Energizando

Caipora Atocaiada

domingo, 26 de julho de 2009

Entre poesias concretas e conceituais, entre variadas formas de poesia a serem exploradas um texto-vômito cru sobre o que se não for expulso agora, daqui a 5 ou 10 anos pode se configurar como um câncer, quase tão fatal quanto fazer sofrer um amor.


Estou sofrendo a possível dor que sentiria meu amor se eu lhe falasse de meus sentimentos. E sofro por sentí-los todos e não querer fazer-lhe sofrer conhecendo-os. Mas o que se passa é que a minha condição de ser cultural, consciente de um treinamento sentimental específico, não me impede de ser ambígua e ridícula. Ao contrário, quando se trata das questões do amor, a racionalidade é uma das últimas grandes sábias saídas a ser consultada. Neste caso é o que tento fazer, trazer às minhas questões de amor um acesso a algo que me conceda a mínima tranquilidade espiritual.

Estou entre um amor que me precisa toda e um desejo que me reparte em pedaços demasiados para um ser humano qualquer. Esse amor eu também amo, e o quero tanto que não posso imaginar minha vida sem ele. É meu primeiro e meu último pensamento todos os dias. É meu cotidiano e meus dias de festa, quase todos que posso imaginar. Esse amor é o que me preocupa em não ofender, não magoar, não maltratar, não desrespeitar. É de fato o que toma boa parte de meu zelo por qualquer coisa com a qual eu conviva. É parte de todos os meus sorrisos e são para esse amor meus melhores versos, minhas maiores ilusões e entregas. Minha imagem invertida... não sou eu mas são minhas intersecções e fronteiras todas. E por isso amor.

Meus pedaços separados pelo desejo me corroem, me machucam. São parte integrante de uma auto-repressão-repreensão contra situações que possam oferecer riscos ou males à estabilidade de um amor total. Meu desejo se rebela contra o que é total no meu amor, no que é único e se quer dual e invariável sempre. Chego a não saber o que escrever por não saber antes o que sentir. Porque agora eu sou toda confusão, toda angústia, toda questão... toda franqueza... e tanta franqueza justamente por haver amor e preocupação e zelo.

Que estabilidade é essa tão sonhada? A das práticas ou a dos sentimentos? Se estes não me são estáveis como conviver com práticas minimamente limpas? Somatizo meus sentimentos e chego a ter vertigens. Sono? Acho que não. Apenas desejo de dizer tudo, em confessar sentimentos contraditórios desejando ardentemente ser compreendida e crendo previamente que isso não irá acontecer. Eu quero a lua e o sol juntos, num mesmo abraço... tudo e cada coisa, irreais.

[...] ...?... [...]

Se a estabilidade não te dá felicidade talvez você deva questioná-la. Mas o amor é irracional, então ignore-me.

domingo, 19 de julho de 2009

Zouk

Meia Luz.
Três batidas suaves vem tomando os corpos. Elas entram a partir dos quadris e sobem elasticamente até o pescoço, à mostra, como que procurando olhares vampiros. Esse por sua vez é base de lançamento de fios longos desagrupados, ora como cortina, ora como chicote.
"Expressão vertical de um desejo horizontal". Descrição crua de um ritual da libido, com xeiro, suor, cabelos, tórax, cinturas e adjacências. Por vezes olhares tecnicamente treinados para a sedução.
Olhos fechados e respiração constante, forte e quente. Nariz a nariz, olho a olho, coxas e pés. Até que a música acabe e não reste mais nada além de nós e o salão.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

...a morga

Sexta-feira.
Estou sentada no chao da sala sobre duas almofadas bordadas tal qual a gata do Saltimbancos.
Um vento otimo entra pela porta a minha esquerda balaçando as coloridas fitas de cetim da cortina e dando musica ao mensageiro dos ventos que me avisa de sua chegada. Beirut canta tomando conta da sala, inundando o ambiente. Alguns objetos estao colocados ao meu redor, tambem no chao da sala a disposiçao para qualquer desejo de entretenimento. Umas caixinhas de som e alguns artigos de luxo.
No fim o sadomaso do Móveis coloniais de acaju...
e nenhuma perspectiva de movimentos além de braços esticados e alguns sorrisos "sem razão".

sábado, 4 de abril de 2009

'eu acho o chão e não perco as palavras'

Foi você quem amei primeiro e de maneira única. Você sempre fugia e mesmo assim me conquistava. Você é meu paradoxo, minha contradição, meu oposto.
Você sempre me cansa pelo descanso. Mas sempre me canso de ficar sem você.
Você é chato mas a vida sem você é absolutamente impertinente.
Pra sempre é um tempo muito longo mas as vezes os minutos não passam quando estou te esperando.
'eu acho o chão e não perco as palavras'
Me passa carão e me enche a paciência mas quando se esforça consegue ser o melhor porque é só ele quem sabe o que eu gosto e o que eu quero em quase todos os momentos. Porque ninguém lê minha mão tão bem porque já conhece todas as linhas. E somos previsíveis por nos conhecermos tanto assim. E isso é bom e é ruim. Mas é bom mesmo assim, entende?

quinta-feira, 12 de março de 2009

FORÇA

...
YO SOY INDÍGENA
EU SOU NEGUINHA
CABÔCA EU SOU
...

domingo, 8 de março de 2009

sua pulseira que tu nunca viu

estou usando a pulseira que comprei pra você...
na pressa das despedidas avorossadas não lembrei de te entregar.
é uma pulseira de couro, com flores e tribais e certamente ficaria linda em seu pulso.
segue sendo sua e vivendo em meu pulso como para manter o pulso das lembranças.
talvez um dia eu lhe dê seu presente agora meu e talvez caiba em você como nós poderíamos caber bem juntos como bons amigos bem esquisitos.
não sei por onde anda, o que faz agora, o que sente e não vejo mais suas ótimas alterações de humor diárias.
em qualquer noite.ciber ou qualquer momento avulso pelo meio, quina ou beira do mundo a gente se vê.
podemos acampar na lua qualquer noite dessas e voltar antes do amanhecer pra não corrermos o risco de sumirmos no escuro da noite...

terça-feira, 3 de março de 2009

carnaval fora do ar

em deslocamento constante
de terras e consciências
novas imagens junto a antigas amizades
...
as cachoeiras geladas o rio com vista praomar
...praiamar...
mata floresta atlântica serrana
precipícios e serpentes de cores quentes
noites frias e dias calientes
chuva de tudo
com o brilho do sol na cara
banquetes magnânimos!
e nas cinzas ainda havia movimentos de resistência
lisérgicos e borboletados

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Des-sufoco. Falando de amor ao revés.

Quando fechei os olhos e pensei no amor, fui traída por minha memória. Não pude pensar em alguém amável, mas no asco fingido e contraditório.
Quer um conselho de como não ser? Basta olhar em volta.
O discurso: Tudo precedido de "Não"
Não! À opressão, à luta de classes, ao machismo, ao medo, à violência, ao nazismo, ao preconceito, à destruição das matas, à poluição, ao consumismo... Não ao Caralho!
A prática: Consumo, opressão, tagarelice, autoritarismo, excesso, chatisse, fingimento, falsidade, preconceito, distanciamento, "Q.I.", superioridade...
Quando tentei pensar no amor e fui traída por minha memória, esta, um tanto fiel, mostra como já fui traída por incessantes e mentirosas interpretações de minha vida feitas por certas almas sebosas!
Neste espaço digo agora o que há tanto venho mastigando, sem poder engolir. Venho dizer o que está cravado na garganta como um garfo enferrujado antes que esse maldito tétano social me controle como já faz em outros e outras. O arranco e deixo suas marcas para alimentar a memória e a ética pessoal.
Procuro amigos e amigas que de fato o sejam, que tenham uma ética limpa, completa e que não precisem de panfletos, camisetas, faixas ou papai e mamãe para manter qualquer aparência.
Precedo aqui de Não todas as almas sebosas organizadas politicamente em corjas desaforadas e radicais que no dia a dia não são capazes de manter uma simples relação de amizade ou respeito minimamente coerente.
Aproveito para dar graças às queridas seriais politicamente corretíssimas que não correspondem a rótulos ou latas de sardinhas específicas mas que são amáveis, divertidas, lindas, amadas e acima de tudo, respeitáveis. Agradeço também aos amigos lindos, de longa e curta data, mas somente a aqueles que correspondem ao que agora me parece respeitável. Esses sabem que o são.
Não é um grito, é um desabafo. Não é uma cobrança, é uma constatação.
Não é nada além de uma respiração mais limpa e da busca por pessoas respeitáveis.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Insônia



Estou em um transe onde o sono me toma
e a insônia me persegue como minha sombra à luz do sol.
Sou tomada por toda sorte de pensamentos...penso em infantes terríveis e me vejo irritada...
logo depois percebo e rio de mim...
penso nos amores da vida, me vejo, percebo...
e rio sozinha dos pequenos cacos de ilusão tão aquecedores...
A rádio AM do quarto ao lado embala a inquietude da cama desajeitada,
nem torta, nem plana.
Coloco a culpa no mate... até no café que não tomei...
meus olhos caem mas minha cabeça me trai...
E nessa noite, sem anônimos nem presenciais alentos,
o tempo insiste em passar...
Órion segue por todo o céu
e meus olhos insistem em não fechar.
Refugio-me em Zila.
Imagino que parte de seus poemas podem ter saído de noites de insônia.
Mas de certo penso mais no mar de janeiro que traz sorrisos.
E tento dar cor à noite e à insônia...
minha companheira de noites a fio.
Da cama inquieta sigo vendo as chamas.